IndieSound #12 – Análise: NECROPOLIS

Vamos fazer críticas de produtos aqui no IndieSide agora, escrevendo sobre games, quadrinhos ou até mesmo animações independentes. A partir de hoje, toda semana teremos um texto novo no site, que poderão vir acompanhados de podcasts complementares, como este, ou de vídeos no nosso canal do YouTube, onde estaremos recomendando e avaliando os melhores indies do mundo. Legal, né?

Começando por “Necropolis: A Diabolical Dungeon Delve”, o mais novo jogo da incrível desenvolvedora americana Harebrained Schemes, liderada por Jordan Weisman, responsável por títulos consagrados no mercado, como a famosa franquia de RPG em turnos “Shadowrun”, que fez uma campanha milionária no Kickstarter desde sua primeira tentativa ao lançamento.

NECROPOLIS

Para introduzir Necropolis, acho que nada melhor do que a sua descrição oficial no Steam:

“Uma mistura viciante dos gêneros de ação em terceira-pessoa com dungeon-delving procedural. Ah! E morte permanente (perma-death). Se aventure sozinho ou com até mais 3 amigos em uma mágica armadilha mortal que se reconstrói sozinha a cada vez que você joga. Você vai encontrar a saída ou morrer tentando? (SPOILERS: você provavelmente irá morrer tentando.)“

Pois é, algumas coisas pouco agradáveis aí, certo? Morte permanente, armadilha mortal, amigosargh. Enfim, este jogo definitivamente não vai te ajudar em nada.

Amigooos!

Amigos!

Ao iniciar o game, você encarna um personagem encapuzado, masculino ou feminino, disposto à enfrentar os desafios e criaturas que estão lhe esperando na Necrópole através de seus dez níveis subterrâneos, que são caracterizados por ambientações como calabouços, masmorras, cavernas e pântanos, geradas proceduralmente com a intenção de nunca serem as mesmas localidades em diferentes partidas, o que funciona como uma certa “válvula de escape” para ajudar os jogadores à retornar ao jogo após cada morte. Sim, você realmente vai morrer muitas vezes.

Quero começar ressaltando a beleza visual presente em todo o game. Sério, eu realmente poderia fazer um texto descrevendo apenas a arte de Necropolis. O estúdio com certeza teve MUITO trabalho criando este conceito de design low-poly que é super simplista, porém funcional e sofisticado, dando muita vida e personalidade aos personagens principais, inimigos e NPC’s em suas formas, acessórios, cosméticos, armas e animações. Este é um ponto fortíssimo no game, que em poucos segundos consegue te conquistar com uma iluminação majestosa espalhada pelos cenários e referências visuais que me lembram do nostálgico desenho “Samurai Jack“, da Cartoon Network, e do fabuloso indie game “Journey” (PS3).

Cenários e personagens com design excepcional.

A trilha sonora é outro ponto forte, cosposta por Jon Everist, nome por trás das músicas de outros títulos do estúdio, essencialmente na franquia Shadowrun. A sonoridade é minimalista e ameaçadora, contextualizando muito bem todos os momentos do jogo, seja em exploração ou em batalha contra esqueletos. Algumas faixas me lembram do seriado “Stranger Things” (Netflix), com bastante sintetizador e uma pegada “retrô-futurista”. Não me senti cansado de ouvir em nenhum momento.

Outra coisa que nem de longe me incomodou, foi o humor negro e macabro de Necropolis. É simplesmente genial! Todas as descrições e textos estão carregadas de deboche e sarcasmo, ao mesmo nível de “Portal”, porém com uma pegada mais non-sense e mitológica. Todas as “piadas” estão não só traduzidas, mas também localizadas em português-brasileiro (PT-BR).

Sendo um título de ação em terceira-pessoa, o Necropolis se apropriou muito bem do gênero rogue-like (ou rogue-lite), usando de artifícios como a exploração do mapa, crafting de itens e uma mecânica de movimentação e combate bem precisa, que se encaixa com o fator da permanente-death no game: pise em falso e você morre. Os inimigos te exigem uma certa inteligência e sagacidade na hora de atacar ou se defender (ou fugir), causando um sentimento de perigo em quase todo o tempo. Não existe mini-mapa aqui, então você não vai querer se descuidar e perder TODOS os seus itens conquistados com muito sangue e sacrifício, literalmente.

Bom, já deve ter imaginado de onde veio a principal referência do jogo até aqui, certo? Tibia? Também, eu acho. Mas, principalmente, Dark Souls. Necropolis é para os jogadores hardcore, e isso serve tanto para o bem quanto para o mal do game.

Não chegue perto dos poços.

Caso você não tenha um amigo querido para lhe ajudar nesta jornada em busca da saída da Necrópole, o jogo será drasticamente pior, em vários sentidos. O multiplayer aqui parece essencial não só para a sobrevivência, mas também para a diversão do game. Com friendly-fire 100% ativo, funcionando em players e inimigos, você precisa de pelo menos mais um aventureiro disposto a pagar um preço bem salgado para trocar espadadas com você.

A falta de informações no game é proposital, sendo passada apenas de maneiras indiretas ou lúdicas, eu entendo isso. Entretanto, devo admitir que já é algo que irá afastar aos montes a grande maioria dos jogadores interessados mas que não têm tempo ou paciência para investir no descobrimento do jogo. Caso você não aprenda sozinho na Necrópole, ninguém irá te ensinar nada. Nem pense em tutoriais.

A conexão só existe em Lan, ou seja, nada de servidores para jogar com a comunidade. Não entendo o motivo disso, já que o estúdio é gigantesco. Também não é possível jogar em co-op local, tornando o game quase totalmente single-player e desperdiçando uma possível experiência coletiva de mais qualidade e quantidade.

Particularmente, detestei o fato de não poder trocar os controles do jogo, seja em joystick ou teclado. Só é possível jogar com a predefinição disposta por default e pronto, não existem nem opções alternativas, o que achei muito desconfortável desde a primeira vez que joguei, me impedindo de apresentar uma melhor performance no game.

ARANHAS MAIS ARANHAS

Vale a pena comprar? Vou ser direto aqui: durante uma oferta, SIM! Uma oferta boa, daquelas.

Necropolis consegue agradar e divertir bastante os jogadores que gostam de desafios em um nível mais alto de dificuldade, principalmente os que formarem equipes. Acredito que o jogo terá uma vida razoavelmente longa, caso o estúdio continue ouvindo a comunidade e acrescente algumas correções de bugs no sistema procedural, servidores online e, talvez, num futuro mais distante, alguma DLC interessante.

Caso você queira adentrar neste mundo obscuro da Necrópole, eu lhe dou apenas uma dica: não vá sozinho.

Venha para o Lado Indie da Força!


NECROPOLIS | Steam

NECROPOLIS: A Diabolical Dungeon Delve


E-MAIL

Você tem alguma dúvida, crítica, sugestão de tema ou ideia que gostaria de nos enviar? Mande um e-mail!