IndieSound #13 – Análise: Furi

“The jailer is the key, kill him and you’ll be free.”

Jogamos “Furi”, o mais novo lançamento indie do gênero hack n’ slash, em sua versão para PC, e vamos relatar um pouco de nossa experiência de gameplay neste texto.

Em um mês carente de grandes lançamentos, a desenvolvedora The Game Baker, lançou no dia 5 de julho, o indie game “Furi” para as plataformas PS4 e PC. O jogo foca na ação em terceira pessoa e foi desenvolvido a partir da vontade do criador Emeric Thoa, que há 10 anos imaginou um jogo apenas com batalhas “Player vs Boss”, dueladas de igual para igual.

Nas palavras de Emeric Thoa, Furi é um jogo inspirado em jogos japoneses como “No More Heroes”, “Metal Gear Solid” e “Godhand”, sendo o resultado de seu desejo em combinar momentos de paixão, adrenalina e medo, emoções frequentemente sentidas em uma luta. Um jogo baseado em habilidades e com grande diversidade de oponentes e padrões de ataques, que fazem o jogador refinar suas habilidades e se tornar cada vez melhor, ao invés de aumentar as estatísticas ou melhorar as armas do personagem. Ainda segundo Thoa, um jogador se sente melhor ao aprimorar suas próprias habilidades do que aprimorar as de seu personagem.

Batalhas épicas!

Há um bom tempo eu não sentia aquela sensação de vitória ao completar uma fase de um jogo que era muito comum em minha infância. Me lembro que foi como ultrapassar um carro na última reta da corrida final enquanto jogava “Top Gear”, ou de como ficava inclinando o controle do SNES enquanto as plataformas do castelo do Bowser despencavam, em uma tentativa de não cair junto na lava e derrotar o vilão do jogo. Você sabe do que eu tô falando, certo? Pois é, quando venci o primeiro boss de Furi, a sensação foi muito parecida com isso e permaneceu nas próximas vitórias.

O jogo de cores fortes e saturadas, traço estilizado e forte variedade de cenários, conta com um sofisticado design de personagens do renomado Takashi Okazaki (criador do jogo “Afro Samurai”). Outra coisa que chama atenção logo no início, é a trilha sonora, que ficou por conta de grandes nomes da música eletrônica, como Carpenter Brut, Scattle, Danger, entre outros.

Entretanto, é indiscutível que o ponto mais forte de Furi é a sua mecânica de combate. Desde o primeiro adversário, que já começa com algumas barras de HP a mais que você, fazendo com que todos os aspectos do combate e todas as extensões do personagem sejam estudados e explorados pelo jogador, usando golpes de contra-ataque, esquivas e combos que misturam arma de fogo e lâminas. Além disso, uma dificuldade que aumenta a cada round, para que no decorrer do jogo, o jogador esteja bem familiarizado com as inúmeras opções de ataques que estão ao seu alcance. O jogo também exige que seja desenvolvida uma estratégia completamente diferente para cada oponente, que, se for ignorada, muito provavelmente te levará ao fracasso.

Estratégia é essencial para a vitória.

Por não apresentar um roteiro muito profundo, daqueles que prendem o jogador apenas com o desenrolar da história, o jogador começa a ter noção dos próximos acontecimentos através de frases de efeitos que são ditas por personagens secundários e acaba imergindo ainda mais quando se depara com os desafios nos combates. Definitivamente, este é o jogo que provoca desde a frustração do fracasso em ser derrotado por um boss, devido a estratégia mal elaborada, passando pela chateação em ter que enfrentar o carrasco outras vezes, até o êxito e a glória do sucesso quando sua estratégia é efetiva.

Velocidade nos ataques.

Não espere que sendo um player emotivo e explosivo você vai conseguir enfrentar os 9 estágios do jogo sem problemas. Sem chance. Frieza, cautela e estratégia, poderiam ser facilmente as palavras lema do jogo. Furi cativa através do gameplay onde consegue realizar um mix perfeito de música eletrônica, arte gráfica e jogabilidade, provocando uma forte imersão no jogador, que se diverte durante os combates ao estilo nostálgico de “Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi 3”, com controles expressivos, dinâmicos e precisos.

Por fim, Furi não deixa muito a desejar. A desenvolvedora conseguiu criar um fantástico espetáculo de movimento, ritmo e energia, capazes de prender a atenção de qualquer um, deixando muita gente impressionada com o resultado. Ainda assim, não acredito que o valor do jogo para PC justifique toda esta satisfação (atualmente por R$ 69,90 no Steam). Já para PS4, o jogo esteve disponível gratuitamente no mês de Julho, para os assinantes da Playstation Plus e agora está sendo vendido pelo mesmo valor. Quanto à este “problema”, nada que uma oferta não resolva.

Bosses infinitos.

Durante minha experiência de gameplay, senti muita falta de um sistema de recompensas por vitórias in-game. Como Furi não apresenta esta possibilidade e nem possui drop de itens ou upgrade de uma build, isso faz com que seu personagem seja exatamente o mesmo desde o primeiro 1º ao 9º e último oponente, o que é interessante até certo ponto, mas que torna o jogo monótono e cansativo em outro.  Sendo assim, podemos destacar dois pontos de vista diferentes neste cenário:

  1. O jogador não precisa de nada mais além da sua experiência de jogo para chegar ao final.
  2. As recompensas existentes, podem não ser tão gratificantes para alguns, tendo em vista que sua única conquista será a vitória em si, não adquirindo mais nada através dela.

Considerando estes fatores, eu com certeza recomendaria o jogo a qualquer pessoa devido a “conjunto da obra”, caracterizando seus combates desafiadores e intensos, a trilha sonora bem integrada com o jogo e a oportunidade de desenvolver estratégias diferentes como as principais qualidades do jogo. Pois até mesmo os contras, que seriam o sistema de rounds muito extenso, a falta de um sistema de recompensas e talvez o valor em dinheiro, definitivamente não conseguem tirar o brilho que este jogo possui.

Venha para o Lado Indie da Força!


Furi | Steam

Furi | PSN


ARTIGO

Gamasutra – Furi: some tough design decisions striving to make a memorable game


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