IndieSound #14 – Análise: Anarcute

Mais uma crítica de game em podcast e texto aqui no IndieSide, desta vez analisando o jogo de estreia do estúdio “Anarteam” no mercado internacional de jogos, com provavelmente o indie mais FOFO do ano: “Anarcute”!

A Anarteam é uma pequena equipe, formada por um grupo de cinco estudantes da escola francesa de vídeo games, Supinfogame. Após vencerem múltiplos prêmios com o então projeto acadêmico Anarcute, estes jovens decidiram iniciar uma companhia e entraram para o programa ID@XBOX, para desenvolvedores independentes, onde o game continuou crescendo. Finalmente, após 3 anos de trabalho duro, Anarcute foi lançado em julho de 2016 para múltiplas plataformas.

Este jogo ultra fofinho e carismático é um game de ação focado na bagunça. Um “riot simulator” de primeira qualidade onde o jogador lidera um grupo de até 70 “mini-baderneiros” que estão determinados a libertar o mundo de uma ditadura do mal, criada pelo regime autoritário de uma força militar muito, MUITO, maligna intitulada como “Brainwash Patrol”. Nossos manifestantes estão dispostos a qualquer coisa pelo objetivo, desde arremessar veículos em chamas à destruição de edifícios pelas cidades, vestindo adoráveis cabecinhas de animais para esconderem suas identidades e, claro, aumentar sua fofura. Um plano perfeito.

FOFURA! ♥

Ainda não entendeu direito? OK, eu sei que pode parecer estranho a ideia de controlar um bando de protestantes dispostos a causar o caos e enfrentar a polícia, pois o clima fica pesado só de imaginar, certo? ERRADO! Com muito bom humor e uma direção de arte super colorida, inspirada no estilo asiático “Kawaii”, Anarcute surpreende ao fazê-lo sentir como uma criança, no dia de seu aniversário, com um balão de gás do Bob Esponja, brincando num enorme parque de diversões.

Desde o primeiro minuto de jogo, você já percebe que a aventura vai ser boa. O tutorial é muito bem explicado e serve como um guia completo para o jogo, que vai revelando um comando por vez a cada novo obstáculo à sua frente, sem jogar muita informação na sua cara logo no início, o que descomplica bastante para jogadores casuais e ainda é agradável para os acostumados com o gênero, antes presente em jogos clássicos da Nintendo como “Pikmin” e no mais recente “Wonderful 101”.

Em Anarcute, é possível executar diversos golpes diferentes, a partir do momento em que você começa a recrutar seus aliados. Existe uma barra lateral que fica na vertical do canto esquerdo da tela, servindo como uma espécie de “termômetro”, onde mostra o número de manifestantes no seu time atual e a quantidade necessária para desbloquear temporariamente um novo ataque com o grupo, que pode ser perdido caso este número diminua. Assim, você deve se preocupar com uma coisa por vez, buscando seus coleguinhas perdidos pelo mapa do local e então aprendendo novas habilidades.

Anarquia fofa

Vale lembrar também que o jogo foi trazido à vida usando a querida “Unity”, um motor já bastante popular entre os desenvolvedores de jogos independentes, por ser democrática e precisa (e gratuita desde sempre). Anarcute chegou a ser considerado pelos fãs como um “exemplo correto de como se usar a engine” na criação de games.

Os desenvolvedores souberam otimizar os recursos dentro do jogo e compensar a falta de polígonos com uma textura refinada, geralmente em flat e muito bem saturada. Através de gráficos estilizados e simplistas, a modelagem do game em geral é bastante low-poly, tornando-o compatível com praticamente qualquer computador atual que rode o pesadíssimo “Minecraft”, por exemplo. A paleta de cores é muito harmônica com o mood do game, e é disso que Anarcute se trata: diversão e nostalgia.

A trilha sonora é espetacular! Consegue ditar um ritmo ideal dentro do game, sendo relaxante quando necessária e cheia de energia nos momentos de batalha, com escolhas temáticas que padronizam bem cada região do mundo no jogo.

Mini-Vaders

Apresentando uma estrutura considerada como clássica no game design, a anarquia aqui é muito bem organizada. O jogador irá enfrentar uma sequência de levels, passando por diferentes localidades pelo mundo, como Tokyo, Paris, Miami e uma outra cidade escandinava cujo nome é impronunciável (Reykjavik), fazendo uma trajetória semi-linear até a última etapa do local, onde haverá confronto com um Boss gigantesco e, dessa vez, nada fofo ou adorável.

Dentro de cada cidade, temos uma arquitetura diferente e muito fiel à realidade, além de novos desafios para serem completados e “bagunceiros” esperando para serem salvos pelo seu grupo para unirem-se à revolução. Um conceito que poderia ser melhor explorado, na minha opinião, pois não há diferença alguma entre os personagens no jogo, além do visual animal. No menu principal, é possível inclusive criar o seu próprio time, escolhendo quais tipos de manifestantes irão fazer parte da jornada, mas que, no final das contas, não trás nenhuma inovação ou sequer uma alteração no gameplay. É uma função puramente “estética”.

BOOOM

Posso dizer que outro ponto fraco no jogo seria o seu plot. Não digo isso pelo roteiro em si, que até abusa de criatividade e liberdade para ser tão absurdo quanto divertido, mas sim pela forma como ele é apresentado  (ou não) ao jogador. Por meio de cutscenes animadas, porém mudas, Anarcute tenta passar um conceito principal de sua história, ligando os fatos pelo decorrer do jogo. Entretanto, estas animações não servem como um guia, funcionando apenas como um momento de alívio entre uma fase e outra, tornando a história quase que descartável em comparação com o resto do jogo. Mesmo assim, acho que valeu a intenção.

Enfim, considerando que Anarcute é um jogo praticamente 100% casual, ele fez seu dever de casa com letra cursiva, margens e tudo mais. Não consigo criticar um jogo que me deixa ser um filhotinho de coelho, definitivamente não. Se você tem interesse por games bonitinhos ou simplesmente não têm tempo para se dedicar à e-Sports, eu recomendo que você vista seu uniforme e se junte à essa caótica revolução de pelúcia.

Venha para o Lado Indie da Força!


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