Análise: The Final Station

The Final Station

Olá, pessoas!

Analisamos o jogo “The Final Station”, desenvolvido por Oleg Sergeev, Andrey Rumak e pela equipe “Do My Best”, sendo distribuído pela “tinyBuild”, uma publisher que já tem experiência na área indie e entregou alguns ótimos jogos no mercado. Desta vez, portanto, podemos dizer que o padrão de qualidade deles cumpriu as expectativas, trazendo este excelente game de suspense em plataformas 2D, feito totalmente em pixel-art, lançado no dia 30 de agosto.

Como eu disse, a distribuidora tinyBuild já possui uma certa “tradição” no cenário independente, mostrando também sua capacidade em acertar com títulos menores e pixelados, como é o caso de sucessos como “Party Hard” e “Punch Club”. Em The Final Station, encaramos a jornada de um (nem tão) simples maquinista ferroviário que viaja com sua locomotiva pelos trilhos e estações de locais contaminados por um estranho gás que saiu de algumas cápsulas vindas do céu, causando caos e devastação em lugares que um dia, há muito tempo atrás, eram normais. Hoje, as pessoas vivem desesperadas, sem esperança ou gravemente feridas… ou simplesmente não vivem. Acredite em mim, não existe meio termo.
Começamos a campanha já como o maquinista armado, sem avisos prévios ou algum tipo de prólogo, jogando por poucos minutos o que seria o tutorial do game. Vale avisar que o jogo não lhe ensina quais são os controles, sendo mostrados na tela apenas quando você decidir pausar. A intenção aqui é mostrar de cara que nada será tão simples assim, se inspirando no modelo adotado pelo clássico “Megaman” do Super Nintendo, tentando deixar o jogador livre para testar os comandos, por sua própria conta e risco, até que ele morra (o que também não vai demorar muito).
Então, após falhar miseravelmente praticar o básico, uma tela preta surge e te conta que “106 anos se passaram desde a última visita”. Como assim?! Pois é. Agora sim, você deve se levantar e sair para caminhar pelo seu mundinho morto e cinzento, buscando entender o porquê disso tudo. Prepare-se para fazer muitas viagens, entrando em túneis escuros para acabar com os infectados e ouvindo histórias de sobreviventes pelas cidades.

Trens <3

Posso começar destacando então a mecânica de jogabilidade de The Final Station, simples de se aprender, porém difícil de se dominar. É possível se mover nas horizontais e subir ou descer escadas. Nada de pulos. Podemos também interagir com personagens e itens com um único botão ou tecla, sendo usado para conversar e segurar ou arremessar objetos. Para atacar, podemos executar um golpe rápido de curto alcance ou pressionar por mais tempo para aumentar o dano, e, finalmente, podemos mirar e atirar com nossas armas, além de recarregá-las quando necessário. Poxa, simples demais, certo? Calma, até aqui sim. Vamos para a parte legal agora.
Dentro de seu trem, o jogo muda, literalmente. Aqui é preciso ser ágil e saber gerenciar muito bem seus recursos, escolher o que criar ou a quem ajudar, além de conseguir decifrar os quebra-cabeças presentes em cada um de seus vagões. Através de suas viagens feitas de forma linear de estação para estação, você irá resgatar alguns passageiros dispostos a te pagar pelo transporte até determinadas estações, fazendo com que você precise tomar conta de suas vidas, dando comida e/ou kits médicos, dividindo sua atenção com os problemas da locomotiva, quase sempre instável em algum ponto. Eu juro, isso tudo é MUITO tenso.

Gerenciamento de recursos

Digo isso porque todo e qualquer recurso que você encontrar no game, desde munição, comida, kits médicos à parafusos, serão realmente escassos. Nada de atirar para todos os lados. Você deverá escolher até mesmo qual tipo de arma usar para evitar desperdício de balas ao enfrentar enxames de infectados, podendo optar também por arremessar cadeiras e caixas em suas cabeças ou então fugir. Os medicamentos que você possui são compartilhados com os passageiros, então usá-los para seu próprio benefício também é uma decisão importante, que poderá ser drástica no momento de retorno ao trem para viajar. Por isso, a principal dica que lhe dou é: explore ao máximo possível cada um dos túneis e salas de todos os edifícios.
Os inimigos possuem uma linha de evolução desafiadora e interessante, sendo dispostos em níveis que vão desde os mais fracos e lentos, aos mais velozes, resistentes e até mesmo explosivos. A dificuldade em derrubá-los aumenta, é claro, quando estão em grupos.
A qualidade gráfica é OK, levando em consideração a proposta de ser um jogo com poucos “bits”. Todas as paisagens de fundo durante as vigames com a locomotiva são muito bonitas e os interiores dos prédios são bem desenhados e detalhados, apesar do padrão repetitivo na arquitetura e da paleta de cores na cidade, que é quase que integralmente cinza, buscando uma sensação de pânico e um clima pós-apocalíptico que vai se desdobrando com o decorrer do plot principal. As animações em geral são muito boas e garantem o conceito artístico minimalista e retrô, com partículas e efeitos de luz excelentes. É um game muito bem polido.

Infectados

As trilhas sonoras, assim como os efeitos de som, são excelentes e muito condizentes com a temática e ambientação dos cenários e momentos do game. Como o jogo tem foco total no single-player, as ideias de solidão e terror psicológico passam com mais facilidade, tendo ajuda crucial das músicas que são tocadas, me fazendo sentir como se estivesse lendo um livro de Stephen King, como “O Nevoeiro”.
Senti, porém, que a história principal tem um ritmo lento e às vezes é “despedaçada”, podendo desagradar os jogadores mais dinâmicos ou com pouco interesse por leitura, pois é bastante contada através de fragmentos deixados em cartas, anotações, livros ou computadores que permaneceram ligados, também durante conversas com moradores locais e com o suposto vilão, que é “conspirador” demais para uma explicação minha. É sério.

Sobreviventes

No entanto, conforme avancei pelos diversos pontos do mapa ferroviário, consegui me importar com os NPC’s que conversei, com suas vidas que foram salvas ou terminadas em meus vagões e com o gigantesco mistério dos invasores que irão retornar (ou não). Estou evitando spoilers aqui, mas o roteiro é pesado e bem construído até o final.
Resumindo, The Final Station me agradou bastante desde os primeiros minutos de jogo. Relembrei meus tempos de “Resident Evil” no Playstation, “This War of Mine” e uma boa pitada de “Fallout” pela narrativa. É um ótimo thriller independente e tenho certeza que me lembrarei da história deste maquinista, estando preparado para quando ELES retornarem.
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