Análise – Kingdom: New Lands

Kingdom: New Lands
Analisamos o game “Kingdom: New Lands”, sucessor de “Kingdom: Classic”, e ficamos impressionados com a qualidade artística e profundidade de conceito do jogo.

Kingdom: New Lands é um jogo independente que mescla gêneros de Tower Defense com estratégia em tempo real (RTS), através de uma mecânica de movimento side-scrolling em plataformas 2D, geradas aleatoriamente. Tudo isso, feito em pixel-art de extrema qualidade.
O jogo foi lançado em agosto deste ano e produzido quase que integralmente por apenas um desenvolvedor, conhecido como Noio, contando com uma excelente composição de trilhas sonoras feita por ToyTree. É importante ressaltar que New Lands não é exatamente uma “sequência” do título anterior, funcionando melhor como uma versão aprimorada de seu antecessor, que recebeu diversas atualizações e melhorias surpreendentes nesta nova versão.

Nothing lasts...

Bom, se você ainda não conhece Kingdom, aqui vai uma breve explicação de como jogar: você é uma espécie de “monarca” que coleta moedas. Usando estas moedas, você contrata pessoas para serem seus arqueiros, construtores e fazendeiros, que irão lhe ajudar a defender seus domínios enquanto tentam produzir mais moedas para que você gaste em upgrades no seu acampamento. À noite, existem algumas criaturas malignas que virão atrás de sua fortaleza para roubar suas moedas e, eventualmente, sua coroa, caso não haja moedas restantes. Caso você perca a coroa de sua cabeça, o jogo termina. Game Over. Este é o core-gameplay super (ultra) básico de Kingdom, algo bem simples, mas que exige muito esforço para se dominar.
Entre as novidades presentes em New Lands, podemos destacar que agora temos todas as estações do ano, como verão, primavera, outono e inverno; novas terras à serem descobertas, sendo uma cada vez maior do que a outra; novos itens e “coisas” que devem ser descobertas, como a influência da “Lua Sangrenta” (Blood Moon) na jogabilidade. O final do game também é diferente. Existe uma nova condição de vitória no jogo que está, teoricamente, mais “clara” para os jogadores. Digo isso já explicando que Kingdom não é aquele tipo de game que “pega na mão” do player e o leva até o fim. De forma alguma. E isso faz parte de sua narrativa aberta e misteriosa.

Seu reino

O jogo não possui animações de cutscene ou algo do tipo, introduzindo um plot ou sequer uma ação de importância na história. Desde o primeiro minuto, você está sobre controle de sua jornada, sendo ensinado apenas a como se mover pelo mapa em cima de sua montaria e como distribuir suas moedas. Pronto. A partir deste ponto, tudo mais será uma novidade.
A sensação de recompensa é muito gratificante neste sentido para o jogador que explorar o game. Cada novo aprendizado faz com que você se sinta mais experiente, tornando aquela conquista valiosa de verdade, pois o mérito é seu, devido à sua própria curiosidade e esforço dedicado a investir naquilo.
O roteiro principal é totalmente implícito, deixando apenas alguns poucos vestígios do que poderia ser a razão de sua jornada. Isso é simplesmente fantástico aqui, pois abre um leque de possibilidades para o jogador completar e criar sua própria versão de história particular. Admiro muito os jogos que conseguem deixar a imaginação se tornar uma ferramenta efetiva, assim como em “Shadow of the Colossus”, por exemplo, e Kingdom também faz isso com maestria.
À cada noite que se passa, o jogo aumenta sua dificuldade, fazendo com que sobreviver seja uma tarefa árdua. Você deve pensar muito bem antes de agir e distribuir suas moedas, pois cada ação conta drasticamente para o sucesso e a resistência de seu reinado. Posso dizer até que você não vai aprender a jogar de verdade até morrer pela primeira vez (ou segunda, terceira…), retornando sempre com um líder diferente para o reino destruído anteriormente.

Invasores!

Os gráficos pixelados são maravilhosos e a paleta de cores é espetacular, assim como a animação dos personagens e dos elementos no cenário, que se modifica com a iluminação e características individuais de cada temporada natural. A trilha sonora se encaixa muito bem com o clima do game, misturando sintetizadores e teclados para criar uma atmosfera retrô e nostálgica, mas ainda assim medieval. Não há contras neste aspecto de direção de arte.
Entretanto, podemos dizer que o que há de mais “chato” em Kingdom, ainda é o seu personagem. Eu citei o mesmo como um monarca e não como um rei porque ele simplesmente não age como um. Você não consegue dar ordens ou gerenciar sua tropa de arqueiros e trabalhadores após designar suas funções iniciais, deixando-os a cargo da inteligência artificial do jogo, que não é genial. É frustrante saber que, ao anoitecer, você poderá perder um construtor que ficou parado do lado de fora do reino, sem poder fazer nada.
O seu “rei” não consegue nem se defender, pois não existe um botão sequer para atacar, tornando-o incapaz de sobreviver sozinho à um único inimigo. Você só consegue fugir e distribuir moedas, nada mais. Isso afeta diretamente o rendimento do jogo, que poderia ser melhor aproveitado com comandos simples de estratégia, existentes em qualquer Tower Defense “de verdade”.

Solitário

A curva de aprendizado pode ser um problema para os jogadores desinteressados em se aprofundar na proposta do jogo. Leva cerca de 45 minutos a 1 hora para se aprender como (quase) tudo funciona e qual a função das coisas. O fator de morte permanente também pode desanimar alguns players, pois não há segunda chance de continuar sua história. Se você perder, perdeu.
Contudo, estes não são considerados “defeitos” no jogo, por mim. São apenas buracos que poderiam ser preenchidos, quem sabe no futuro, para melhorar ainda mais a experiência de aventura proporcionada por Kingdom. Aliás, o jogo ainda recebe atualizações, feitas com base no feedback dos jogadores.

Fuga!

Portanto, eu acredito que Kingdom: New Lands é um jogo interessantíssimo, talvez um dos melhores indies do ano, que merece sua atenção e uma oportunidade (ou duas) de ser jogado. O game se torna mais rico à cada nova jogatina e avanço pela campanha, tornando-se um excelente e misterioso jogo de aventura. Sinto que posso jogar por mais 10 horas seguidas e ainda não vou ter recebido o máximo que o jogo oferece. Sem dúvida alguma, vale a pena investir suas moedas aqui.
Venha para o Lado Indie da Força!

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