Análise – Burly Men At Sea (Brain&Brain)

Burly Men At Sea

Introdução

Analisamos o belíssimo adventure-game (ou livro-interativo) “Burly Men At Sea”, criado por um casal de desenvolvedores independentes (e aventureiros), David e Brooke Condolora (Brain&Brain).

 

Burly Men At Sea (traduzido livremente como “Homens Fortes ao Mar”) é um conto popular sobre um trio de pescadores fortes e barbudos que decidem sair de seu mundo comum e ir em busca de aventuras.

Situado nas águas no início do século XX, na Escandinávia, a história do jogo se desenrola através de uma série de encontros com criaturas folclóricas. O jogador atua como o contador de histórias e desbravador, moldando a narrativa ao redor destes três heróis enfrentando o desconhecido.

Barbudões

Sobre o Estúdio

Este é o segundo jogo desenvolvido pela família e equipe Brain&Brain, feito durante suas aventuras como nômades e trabalhadores rurais, o que torna sua história ainda mais peculiar.

David e Brooke, pelo visto, também são apaixonados por aventura. Desde outubro de 2015, eles decidiram que iriam se tornar viajantes pelos Estados Unidos para trabalhar momentaneamente como fazendeiros, em tempo-parcial, para ajudar a custear seus projetos de desenvolvimento de jogos. Simplesmente incrível, né?

Casal Brain&Brain

O mais legal disso tudo é que você pode conferir a página deles no Medium, criada para compartilhar textos sobre suas experiências durante estas viagens, intitulada como “Overland By Road – A Nomadic Journey”.

Barba Ligeira, Barba Firme e Barba Brava

Bom, vamos finalmente falar sobre o game agora, mas ainda assim, sem separá-lo de seus criadores. Burly Men At Sea é sem dúvidas um projeto autoral, corajoso e artístico. O game foi desenvolvido para PC e mobile, estando disponível na Steam, Apple Store e Play Store.

No jogo, que é controlado através de simples cliques (ou toques na tela) para desenrolar cada passo, você começa sua jornada ao encontrar no mar uma garrafa, com um misterioso mapa dentro, sem apontar para nada em especial. Então, os três “barbudões” decidem investigar para descobrir mais sobre aquilo enquanto buscam se aventurar pelos mares escandinavos.

Aventuras!

Gostaria de começar apontando a qualidade gráfica do game, que é uma espécie de livro-jogo e se discorre sobre um visual inteiramente flat e com uma paleta de cores escolhida a dedo, super agradável aos olhos, sendo, ao mesmo tempo, atraente e bem adaptada ao contexto histórico e localização do roteiro.

Simplicidade e sofisticação

Brooke Condolora, responsável pela direção de arte, possui um estilo muito original, minimalista e sofisticado, com uma aparência geométrica que parece ter sido inspirada em ícones e logomarcas contemporâneas, algo que basta olhar para identificar como feito por ela. Todos os cenários e personagens são muito bem desenhados e animados, dando vida à história junto de uma trilha sonora inacreditável de tão boa.

Cores lindas!

Silhuetas

Os efeitos de som em Burly Men At Sea são uma genialidade à parte. A grande maioria deles é feita com vozes humanas ou barulhos engraçados emitidos por uma boca, algo que serve muito bem para dar uma pegada artesanal no jogo, essencial à imersão intencionada ao se contar uma história ou ler um livro. Isso vai desde o zumbido causado pelo vôo dos pássaros até à água do mar que se espalha pelo ar quando um dos homens mergulha e etc..
Assim também são padronizadas as maravilhosas músicas do jogo, feitas à capela, através de um coral espetacular, com alguns poucos instrumentos que remetem ao estilo folk europeu e ao ambiente marítimo, como ukulele, violão, flauta e violino, por exemplo.

Tudo isso me lembrou de outra obra-prima das produções independentes, o longa em animação “Song of the Sea”, que também tem uma composição musical impecável, cheia de vozes, violinos e teclados. Um filme SUPER recomendado!

Song of the Sea

Veredito final

Acho que outro ponto interessante do game é que ele, por se aproximar bastante de um livro ilustrado, consegue ainda inserir um fator de replay para os jogadores, pois ao final de sua primeira e curta aventura, lhe é dito que existe mais à ser explorado e que o verdadeiro mistério daquele mundo ainda não foi descoberto, de fato. Complementar a isso, vêm a característica transmídia do game: cada vez que você terminar uma aventura, um livro novo é colocado na estante dos personagens, com um código que faz link ao site e dá acesso à um conteúdo adicional surpreendente. Não quero revelar aqui, pois será divertido descobrir isso por você mesmo. No mais, posso dizer que envolve “livros de verdade”. Eu fiquei impressionado.

Folk

Enfim, Burly Men At Sea não é apenas um jogo indie, é uma boa aventura contada de forma animada. Talvez, não seja para todos os tipos de jogadores, mas definitivamente é para os artistas ou apaixonados por storytelling e histórias bem contadas. O casal desenvolvedor está de parabéns! É possível sentir todo o carinho e cuidado com o qual o jogo foi feito, e, também por isso, ele com certeza vale a pena ser jogado, lido e ouvido. Uma aventura casual e confortável para barbudos e não-barbudos.

Venha para o Lado Indie da Força!


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